O antigo RG com número diferente em cada estado está com os dias contados. A Carteira de Identidade Nacional (CIN) já é o documento padrão do Brasil, unificando a identificação de todos os cidadãos em um único número: o CPF. Disponível em formato físico e digital, a CIN traz QR Code, biometria e tecnologias que dificultam fraudes e facilitam o acesso a serviços públicos.
Neste artigo, você vai entender o que é a CIN, por que ela se tornou obrigatória, quem precisa trocar e até quando, como tirar a sua gratuitamente e quais novidades de 2026 já integram esse documento à sua vida digital, incluindo a prova de vida automática no INSS e a exigência de biometria para beneficiários do Bolsa Família.
O que é a CIN
A Carteira de Identidade Nacional (CIN) é o novo documento de identificação oficial do Brasil, instituído pelo Decreto Federal nº 10.977/2022. Ela substitui o antigo Registro Geral (RG) e utiliza o CPF como número único de identificação em todo o território nacional, acabando com a possibilidade de uma mesma pessoa ter documentos diferentes em estados diferentes.
O documento possui formato padronizado em todo o país, independentemente do estado em que foi emitido, e está disponível em duas versões: física (papel ou policarbonato) e digital (acessível pelo aplicativo gov.br). A CIN traz QR Code para verificação instantânea de autenticidade, dados biométricos (digitais e foto) registrados em um banco nacional unificado e a possibilidade de incluir informações adicionais como tipo sanguíneo, nome social e condição de PcD ou TEA.
Por que a CIN se tornou obrigatória
Com a CIN, o sistema de identificação passa a ser integrado nacionalmente em tempo real. Quando o cidadão emite ou renova o documento, as digitais são cruzadas com o Banco Nacional de Dados Biométricos, impedindo duplicidades. Em 2026, essa integração já conecta a CIN a diversas áreas do governo: o INSS utiliza a emissão da CIN como prova de vida automática para aposentados e pensionistas, o Bolsa Família passou a exigir biometria vinculada à CIN desde maio de 2026, e a conta gov.br pode ser elevada ao nível Ouro com a biometria do novo documento.
Quem precisa trocar e até quando
O RG antigo continua válido até 28 de fevereiro de 2032. A partir de 1º de março de 2032, somente a CIN será aceita como documento de identidade no Brasil, então todos os brasileiros precisarão ter feito a troca até essa data.
Há uma exceção importante: quem já tinha 60 anos ou mais em 23 de fevereiro de 2022 (data de publicação do decreto) não é obrigado a trocar, mantendo o RG antigo com validade indeterminada. Mesmo assim, é recomendável que essas pessoas tirem a CIN pelos benefícios extras que ela oferece, como a prova de vida automática no INSS.
A validade da CIN varia conforme a idade do titular na data de emissão: 5 anos para crianças de 0 a 11 anos, 10 anos para pessoas entre 12 e 59 anos, e validade indeterminada para quem tem 60 anos ou mais.
Como tirar a CIN passo a passo
O processo é presencial e varia conforme o estado, mas segue uma lógica parecida em todo o Brasil:
- Agende o atendimento no órgão emissor do seu estado (Poupatempo em SP, Detran no RJ, Instituto de Identificação no PR, Polícia Civil em MG, e assim por diante);
- Compareça ao posto de atendimento na data e horário agendados;
- Apresente os documentos obrigatórios (certidão de nascimento ou casamento + CPF);
- Informe seu endereço com CEP (dado obrigatório para a CIN);
- Faça a coleta biométrica: suas digitais serão registradas e sua foto será tirada no local;
- Aguarde a confecção do documento, que varia de alguns dias a poucas semanas dependendo do estado;
- Retire a CIN física no posto onde fez o cadastro;
- Ative a versão digital no aplicativo gov.br (opcional, mas recomendado).
Em muitos estados, o agendamento pode ser feito pelo site do governo estadual. O governo federal disponibiliza uma lista com os links de agendamento por estado no portal gov.br/governodigital/identidade.
Documentos necessários
Para tirar a CIN, a documentação exigida é simples. Os obrigatórios são:
- Certidão de nascimento ou de casamento (original, cópia autenticada ou versão digital);
- CPF (se não tiver, pode ser gerado no momento do atendimento);
- Endereço completo com CEP.
Além desses, é possível incluir dados opcionais na CIN, que ficam impressos no documento e dispensam o porte de outros papéis:
- CNH (Carteira Nacional de Habilitação);
- NIS (Número de Identificação Social, usado no CadÚnico e Bolsa Família);
- Título de Eleitor;
- PIS/Pasep;
- Tipo sanguíneo e fator Rh;
- Nome social (para pessoas trans ou travestis);
- Condição de PcD ou TEA (Transtorno do Espectro Autista).
Para incluir qualquer dado opcional, é necessário levar o documento original que comprove a informação. Certidões com mais de 10 anos podem ser recusadas em alguns estados — na dúvida, solicite uma certidão atualizada.
CIN Digital: como acessar pelo celular
Depois de receber o documento físico, você pode ativar a versão digital da CIN diretamente no celular. A CIN digital tem a mesma validade legal da versão física e pode ser apresentada em qualquer situação que exija identificação.
Para ativar, basta abrir o aplicativo gov.br, acessar a seção “Carteira de Documentos” e adicionar a CIN. O sistema vai solicitar a validação biométrica (reconhecimento facial) para confirmar que é realmente você. Após a validação, o documento digital fica salvo no app e pode ser acessado a qualquer momento, mesmo sem internet.
A versão digital também permite que outras pessoas verifiquem a autenticidade do seu documento escaneando o QR Code presente na tela, o que reduz drasticamente o risco de falsificação.
Novidades da CIN em 2026
A CIN ganhou integrações importantes ao longo de 2026 que vão além da simples identificação.
A mais relevante é a prova de vida automática no INSS. Aposentados e pensionistas que emitirem ou renovarem a CIN não precisam mais ir presencialmente a uma agência do INSS para comprovar que estão vivos, já que a coleta biométrica no posto de identificação é comunicada automaticamente ao sistema previdenciário.
Outra mudança significativa é a exigência de biometria vinculada à CIN para beneficiários do Bolsa Família, em vigor desde maio de 2026. Famílias que ainda não possuem a CIN podem ter o benefício suspenso preventivamente até a regularização.
Para quem usa serviços digitais do governo, a biometria da CIN facilita o upgrade da conta gov.br para o nível Ouro, desbloqueando funcionalidades como a declaração pré-preenchida do Imposto de Renda, acesso completo ao Meu INSS e assinatura digital de documentos.
Quanto custa e onde tirar
A primeira via da CIN em papel é totalmente gratuita, assim como a troca do RG antigo pelo novo documento. A versão digital também não tem custo. Já a segunda via é paga, com valores que variam por estado (geralmente entre R$ 30 e R$ 60).
Alguns estados oferecem a opção da CIN em policarbonato (plástico), que é mais durável e resistente, mas tem cobrança adicional em relação à versão em papel. O valor varia conforme o estado.
O local de emissão depende do estado onde você mora. Os principais órgãos responsáveis são os Institutos de Identificação, Detrans, Polícias Civis e, em alguns estados, centros de atendimento como o Poupatempo (SP) e o UAI (MG). O agendamento é feito pelo site ou aplicativo de cada órgão estadual, e o governo federal centraliza os links no portal gov.br/governodigital/identidade.
É importante destacar que não é necessário tirar a CIN no estado onde você nasceu. Qualquer posto de identificação do Brasil pode emitir o documento, independentemente da sua naturalidade ou estado de residência.